28 Anos sem Elis Regina



A música desperta nos indivíduos as mais diversas sensações, lembranças e sentimentos. É essa a sensação quando ouço a Elis Regina.






Há 28 anos o Brasil perdia uma de suas maiores vozes. A Pimentinha, Elis Regina. 
Estaria hoje com 64 anos. Seria ainda a melhor cantora do Brasil? [ no cenário atual, tenho plena certeza] Talvez fosse considerada “careta” para os jovens [coitados, ouvem todos os dias, Fresno,Cine, bonde da Stronda (nem sei se é assim que se escreve), calcinha preta, e outras lingeries, pássaros e símbolos sexuais do forró], “diva” para os que a acompanhavam, o fato é que seu canto a cada disco, cada show, cada apresentação, era sempre melhor que antes. Continua sendo. 
Ao surgir na Rádio Gaúcha, na década de 50, Elis rapidamente tornou-se a estrela da cidade de Porto Alegre. Foi contratada pela rádio e não demorou muito para que deixasse a capital gaúcha e ganhasse o mundo. Nos tempos de "O Fino da Bossa", com apenas 20 anos Elis era campeã de audiência, o maior salário da televisão na época, referência absoluta de bom gosto e inteligência musical.
Recém revelada pelo I Festival da MPB, na TV Record, com Arrastão, a Pimentinha enterrou a Bossa Nova com seu canto visceral e seus gestos exagerados. Nesse tempo (e durante toda sua carreira) conviveu tranquilamente entre seus grandes ídolos e apresentava novos nomes do cenário nacional. Esse foi um dos grandes diferenciais de Elis: através dela foram projetados nacionalmente nomes como Caetano Veloso, Belchior, Gilberto Gil, Renato Teixeira, Ivan Lins, Milton Nascimento, entre tantos outros.
Num artigo de 1997, na Zero Hora, Juarez Fonseca questiona quem seria a “nova Elis”. Essa pergunta continua sem resposta até hoje, pois ainda não apareceu uma cantora que tivesse o domínio técnico, o bom gosto, a postura inteligente, a eficiência na escolha das canções e músicos e a popularidade de Elis em seu tempo.
A baixinha não se deixava enganar pelas tentações do mercado: quando estava despontando numa carreira internacional saiu da Warner – que investia pesado nisso – para entrar para a EMI e cantar o que quisesse. Pouco tempo antes de sua morte, após o sucesso de seu último showTrem Azul, surpreendeu ao assinar com a gravadora “global” SomLivre, num lúcido golpe de esperteza: suas músicas entrariam em novelas, teria um especial de fim de ano na Rede Globo, e dessa forma seu canto invadiria mais e mais as casas dos brasileiros. Elis sabia como usar da máquina e de sua influência para fazer diferença na vida de seu povo.
Muitos de seus planos não puderam ser concretizados: em 1975 queria fazer deFalso Brilhante um grande circo itinerante, mas não conseguia grana, liberações, coisas da “burrocracia” brasileira, e teve que alugar o Teatro Bandeirantes, que lotou durante 14 meses. Queria cantar muita coisa e não podia, pois a ditadura sabia do grande papel que Elis tinha para sua geração e censurava músicas indiscriminadamente. No fim da vida, chegou a falar em gravar um disco com modinhas de Villa-Lobos, o que, no início da década de 80, quando começava o rock brazuca, pode ser considerado uma ousadia. Segundo Natan Marques, seu guitarrista e diretor musical em 1981, Elis gravaria Nos Bailes da Vida (”todo artista tem de ir aonde o povo está”), de Milton Nascimento e Fernando Brant, com uma citação de Something, dos Beatles. Infelizmente morreu cinco dias antes de entrar no estúdio para começar seu novo disco.
Certo é que Elis amou muito. A música, seus colegas, seus filhos, seus homens, seu povo. Quando morreu estava apaixonada, de gravadora nova, num apartamento novo, de namorado novo. Sua carreira foi abruptamente interrompida com sua prematura morte. Não relaciono à Pimentinha a imagem de uma drogada, mas de uma artista que não conseguia mais lidar com a pressão de seu tempo, pois durante quase duas décadas foi porta-voz de sua geração, que cobrava dela uma postura ativa que era abafada pela ditadura. Parafraseando a própria, “entre a parede e a espada” Elis se atirou contra a espada, para entrar no altar dos gênios da música mundial. 


Para Deleite de quem Gosta, e um presente para quem não conhece ...





Como Nossos Pais




Elis Regina

Composição: Belchior





Não quero lhe falar,
Meu grande amor,
Das coisas que aprendi
Nos discos...

Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor
É uma coisa boa
Mas também sei
Que qualquer canto
É menor do que a vida
De qualquer pessoa...

Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal
Está fechado prá nós
Que somos jovens...

Para abraçar seu irmão
E beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço,
O seu lábio e a sua voz...

Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantada
Como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva
Do meu coração...

Já faz tempo
Eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida
Na parede da memória
Essa lembrança
É o quadro que dói mais...

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Ainda somos os mesmos
E vivemos
Como os nossos pais...

Nossos ídolos
Ainda são os mesmos
E as aparências
Não enganam não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer
Que eu tô por fora
Ou então
Que eu tô inventando...

Mas é você
Que ama o passado
E que não vê
É você
Que ama o passado
E que não vê
Que o novo sempre vem...

Hoje eu sei
Que quem me deu a idéia
De uma nova consciência
E juventude
Tá em casa
Guardado por Deus
Contando vil metal...

Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo,
Tudo o que fizemos
Nós ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...

Fonte: Bembossa
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5 Responses
  1. é eu não sinto a mesma coisa quando escuto a Elis porque eu sempre tive problemas com intérpretes femininas, exceto com a Maria Bethânia a Elza Soares e Nana Caymmy, essas sempre me agradaram audivelmente, mas o grande diferencial da Elis foi a sua capacidade de pesquisa musical, a Maria Bethânia por exemplo sempre foi intérprete de músicas já conhecidas principalmente de Caetano e Chico, a Elis fez os compositores e suas grandes músicas serem conhecidas, então aí já vale pra eu ser semi-fã da Elis.


  2. Ah e o álbum "Elis e Tom" é muito bom, mesmo eu não sendo fã incondicional de nenhum dos dois, o álbum é recomendadíssimo


  3. Salve Rafael,
    Obrigado pelo Acréscimo de informações.
    Já tive a oportunidade de ouvir o CD com o Tom (mas infelizmente não o tenho)

    Abraços, até a próxima


  4. elidiana Says:

    é estranho sentir saudades de uma coisa q não vivemos, mas é isso q sinto qndo lembro de Elis


  5. Cheguei aqui, por "acaso" - se é que ele existe - numa busca no google cuja frase continha a frase "um tempo sem". Olha que coisa?! É que sou fã ardorosa da Elis e sinto saudades delas como se fosse alguém com quem convisse. E creio que assim como eu, haja muitos por aí.
    Obrigada pelo prazer da leitura.

    Bom dia!

    Aucilene


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